Cremação cresce no Brasil e já responde por cerca de um em cada dez óbitos
A cremação avança no Brasil: o setor estima que cerca de um em cada dez óbitos já termina em cremação, e o número de crematórios saltou de um, nos anos 1990, para mais de 130. Veja os dados e o que explica o crescimento.

A cremação deixou de ser exceção no Brasil. Segundo o Sincep, o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil, entre 8% e 9% dos óbitos no país já terminam em cremação — e levantamentos mais recentes do setor, divulgados pela Acembra e pelo próprio Sincep em 2025, falam em uma taxa em torno de 10%. É pouco perto de outros países, mas a curva é clara: o número só cresce.
De um crematório para mais de 130
O primeiro crematório do Brasil foi inaugurado em 1974, na Vila Alpina, em São Paulo. Durante os anos 1990, ele seguia sendo praticamente o único do país. Em 2020, o setor já registrava mais de 130 unidades, distribuídas por todas as regiões.
Só o crematório municipal da Vila Alpina realiza, em média, mais de 700 cremações por mês. E o movimento não se restringe às maiores capitais: o Cemitério Campo Santo, em Salvador, registrou em 2025 um aumento de 21% no número de cremações em relação ao ano anterior.
Empresas do setor confirmam a tendência. No Grupo Zelo, uma das maiores redes funerárias do país, a cremação respondeu por 26,4% dos serviços realizados em 2023, segundo artigo do CEO da empresa publicado pela Exame.
Longe dos números internacionais
Mesmo em crescimento, o Brasil está distante das taxas de outros países. No Japão, a cremação passa de 90% dos óbitos. Nos Estados Unidos, os levantamentos apontam entre 40% e 56%, conforme a fonte. Na Europa, países como França e Reino Unido também registram taxas muito acima da brasileira.
A diferença tem explicação principalmente cultural e religiosa. O sepultamento tradicional ainda é a escolha da maioria das famílias brasileiras, embora as principais tradições religiosas presentes no país hoje aceitem a cremação, cada uma com suas orientações.
O que está puxando o crescimento
Alguns fatores aparecem de forma recorrente nas análises do setor:
- Falta de espaço nos cemitérios das grandes cidades, que encarece jazigos e sepulturas.
- Custo ao longo do tempo: a cremação elimina despesas permanentes de manutenção de túmulo e taxas anuais de cemitério.
- Mudança cultural: mais pessoas deixam registrada em vida a vontade de ser cremadas, e as famílias respeitam essa escolha.
- Mais oferta: com unidades em todas as regiões, a cremação deixou de exigir traslados longos e caros.
O que isso muda para as famílias
Na prática, a cremação hoje é uma opção real na maioria das capitais e em muitas cidades médias. O processo é regulamentado: exige declaração de óbito assinada por dois médicos (ou por legista, nos casos de morte violenta, que dependem também de autorização judicial) e a manifestação de vontade do falecido ou a autorização de um familiar próximo.
Quem quer entender o processo completo, do velório à entrega das cinzas, encontra o passo a passo no nosso guia como funciona a cremação. E para saber quais unidades atendem a sua cidade, a busca do diretório de crematórios lista as opções por estado e cidade.
Fontes: Sincep (Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil), Acembra Sincep News (2025), Exame/Bússola (2024) e Cemitério Campo Santo (2025).